quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Redação - "Jeitinho Brasileiro"

Batismo da ignorância

  A cultura brasileira é horrenda, não sucederemos à redundância do embuste. A expressão “jeitinho brasileiro” é apenas um apetrecho eufemístico para mascarar a gravidade da situação. Asfixiamo-nos na hipocrisia e na corrupção, abolimos qualquer reflexão ética e moral (ou, talvez, apenas travestimos esta por conveniência), sempre procuramos o caminho mais fácil da história. Mas, no fundo, temos plena consciência disto, apenas ignoramos o mesmo fato por, novamente, simples conveniência, ocasião oportuna. Não passamos de hipócritas, na mais alta probabilidade. Mas a questão de fato é, por honra ao clichê, o porquê de tudo isto.        



   Os mais estudiosos (talvez otimistas) traçam um perfil lógico sobre a história. Apresentam como início da trama o nosso afastamento da pré-história, nosso período colonial, citando mais especificamente o patriarcalismo da época, com ênfase em sua ideologia e o que a mesma implantaria na formação cultural brasileira. Estes “otimistas” não estão errados de forma alguma, afinal é neste período que viríamos a formar tanto nossa “população” quanto nossa cultura. Mas, novamente em honra ao clichê, por que este comportamento ignorante tende a prevalecer na sociedade atual?

   Obviamente, por oportunidade, por conveniência. E aqui, após tanto pleonasmo lógico, alcançamos a ironia da questão. A atitude sobrevive porque continuamos hipócritas, continuamos vigaristas, imorais, continuamos a viver a constante contrariedade da ética; parecemos desconhecer o significado de honra. E a solução é ainda mais óbvia, para o espanto do caro leitor: somos os únicos responsáveis reais pela sustentação desta mesma cultura, logo somos os únicos que devem abandonar este imoral comportamento para solucionar o respectivo problema. Parece simples, não? Mas infelizmente não é. Tente imaginar um mundo longe do estereótipo do político e do policial corrupto; do assaltante e do assassino; do vigarista e de todos os restantes artifícios da sociedade. Parece lindo não? E é, de fato. Mas é também mais uma provável utopia. Estamos viciados em todo o circo da vida fácil, instantânea, gananciosa e, enquanto não abandonarmos este nosso ópio, continuaremos hipócritas, desonrados. Bem vindo à realidade.

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